terça-feira, 12 de maio de 2009

Depressão: causas, sintomas e tratamento.

A depressão é a principal causa de incapacidades e a segunda causa de perda de anos de vida saudáveis entre as doenças psicológicas mais comuns. Os custos pessoais e sociais da doença são muito elevados.
Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo sofre, sofreu ou vai sofrer de depressão. Um em cada cinco utentes dos cuidados de saúde primários portugueses encontra-se deprimido no momento da consulta.

O que é a depressão?

A depressão é uma doença dos afectos ( auto-estima) que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.
Ter sentimentos depressivos é comum, sobretudo após experiências ou situações que nos afectam de forma negativa essa é denominada depressão reactiva ou de luto. No entanto, se as circunstancias não são de perda, se os sintomas se agravam e perduram por mais de duas semanas consecutivas, convém começar a pensar em procurar ajuda psicoterapêutica e não médica ao contrario do que a classe médica faz notar.
A depressão pode afectar pessoas de todas as idades, desde a infância à terceira idade, e se não for tratada, pode conduzir ao suicídio, uma consequência frequente da depressão. Estima-se que esta doença esteja associada à perda de 850 mil vidas por ano, mais de 1200 mortes em Portugal ( Ministério da Saúde).
A depressão pode ser episódica ( reactiva a acontecimentos de vida), recorrente ( instalada desde a infância) ou crónica ( sem tratamento, ou com tratamento farmacológico), e conduz à diminuição substancial da capacidade do indivíduo em assegurar as suas responsabilidades do dia-a-dia. A depressão pode durar de alguns meses a alguns anos. Contudo, em cerca de 20 por cento dos casos torna-se uma doença crónica sem remissão. Estes casos devem-se, fundamentalmente, à falta de tratamento adequado.

Quais são os sintomas da depressão?

A depressão diferencia-se das normais mudanças de humor pela gravidade e permanência dos sintomas. Está associada, muitas vezes, a ansiedade e/ou pânico.
Os sintomas mais comuns são:
Modificação do apetite (falta ou excesso de apetite);
Perturbações do sono (sonolência ou insónia);
Fadiga, cansaço e perda de energia;
Sentimentos de inutilidade, de falta de confiança e de auto-estima, sentimentos de culpa e sentimento de incapacidade;
Falta ou alterações da concentração;
Preocupação com o sentido da vida e com a morte;
Desinteresse, apatia e tristeza;
Alterações do desejo sexual;
Irritabilidade;
Manifestação de sintomas físicos, como dor muscular no dorso e nos braços e pernas, dor abdominal, enjoo.
Quais são as causas da depressão?
As causas não diferem muito de pessoa para pessoa ao contrario daquilo que é instituído pela classe médica. Porém, é possível afirmar-se que há factores que influenciam o aparecimento e a permanência de episódios depressivos. Por exemplo, condições de vida adversas, o divórcio, a perda de um ente querido, o desemprego, a incapacidade em lidar com determinadas situações ou em ultrapassar obstáculos, etc.
Sendo a depressão uma doença dos afectos o que as pesquisas e a pratica clínica nos dizem é que a falta de afecto ou sentido como tal (não é o acontecimento de vida que interessa mas a leitura que a pessoa faz dele) é a sua principal causa. A pessoa pode andar muitos anos com um sentimento de insatisfação que não sabe identificar (depressibilidade), sem nunca deprimir verdadeiramente, mas um dia numa mudança de vida (casamento, nascimento de um filho, morte de familiar, gravidez, saída de casa dos filhos etc,) a depressão surge e se a pessoa procura ajuda, o que encontramos por detrás é a falta de afecto vinda da infância, por vezes muito inconsciente e que aos poucos com o decorrer da terapia surge, causando um alivio dos sintomas à medida que os sentimentos são elaborados.
Algumas doenças podem provocar ou facilitar a ocorrência de episódios depressivos ou a evolução para depressão crónica. São exemplo as doenças infecciosas, a doença de Parkinson, o cancro, outras doenças mentais, doenças hormonais, a dependência de substâncias como o álcool, entre outras. O mesmo pode suceder com certos medicamentos, como os corticóides, alguns anti-hipertensivos, alguns imunossupressores, alguns citostáticos, medicamentos de terapêutica hormonal de substituição, e neurolépticos clássicos, entre outros.

Tratamento

O tratamento da depressão está associado desde há muito pela classe médica à terapia farmacológica, conduzindo na maioria das vezes a um empate por parte destes na resolução dessa depressão, ou seja, os médicos dificilmente encaminham alguém para psicoterapia (há honrosas excepções felizmente) receitando medicamento às pessoas uma vida inteira, ou seja colocando uma “ rolha” que impede o sentimento de sair e ser elaborado. Ao tomar medicamentos a pessoa não pensa, e não deprime na realidade. A cura da depressão passa elaboração dos sentimentos com a ajuda do psicoterapeuta. Ninguém se consegue curar sózinho nem só com medicamentos.
Existem casos que de facto precisam de medicamentos: as pessoas já muito idosas, com pouca capacidade de pensar, com outras doenças físicas associadas, mas mesmo essas beneficiam sempre com a psicoterapia, porque é sempre possível trazer à consciência coisas que estavam fora dela tornando a existência mais leve.
A vergonha, o medo da relação com o psicoterapeuta, a pressão dos familiares, a pressão da classe médica são os principais factores que impedem a pessoa de procurar ajuda. Poder-se-á crer que é a falta de dinheiro que afasta as pessoas da psicoterapia, mas não é. Para quem não sabe a maioria dos psicólogos que são psicoterapeutas não praticam preços fixos ajustando-se à bolsa da pessoa, possibilitando assim o acesso a quase todas as pessoas. Como a psicoterpia implica uma relação ( paciente/terapeuta) quero esclarecer que por vezes essa relação não funciona por questões de ambos. Se consultar um psicólogo ou psicoterapeuta com o qual não se sinta bem, procure outro, porque a relação é importante. No caso das crianças e adolescentes antes de marcar a consulta informe-os e discuta a situação com eles. Se o adoelscente for renitente à consulta marque a consulta para a familia e então será mais fácil o seu consentimento, uma vez que desvia o foco da atenção para o grupo. Se está doente procure ajuda psicoterapeutica, se precisar de medicamentos será encaminhado para um médico da especialidade.

6 comentários:

Bipede Implume disse...

Querida Lídia
Tenho um prémio para ti no Com Calma.É sobre a Amizade.
Tomei a liberdade de mencionar o teu blog, porque acho que o mereces e também para divulgar o excelente trabalho que aqui fazes.
Beijinhos.
Isabel

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Pensamos demasiadamente
Sentimos muito pouco
Necessitamos mais de humildade
Que de máquinas.
Mais de bondade e ternura
Que de inteligência.
Sem isso,
A vida se tornará violenta e
Tudo se perderá.

(Charles Chaplin)

Hoje passando para desejar um final de semana com muito amor e carinho.
Abraços do amigo Eduardo Poisl.

Bipede Implume disse...

Amiga Lídia
O meu objectivo foi unicamente esse, uma mensagem de amizade.
Com eu compreendo a tua falta de tempo. Também sofro do mesmo mal.
Beijinhos e continuação de bom trabalho.
Isabel

Anónimo disse...

É sempre bom ver que alguem se preocupa em informar e alertar as pessoas para este tema, nos dias que correm este é cada vez mais um problema, que deve ser enfrentado com seriedade e muito respeito, se alguem quiser mais informações sobre esta doença pode encontrar aqui: http://sintomascausasdepressao.com/

Anónimo disse...

Parabens pelo artigo, este é um tema cada vez mais preocupante, nos dias que correm é importante saber identificar os sintomas e tratar. Neste site podem encontrar mais informações sobre os sintomas, causas e tratamentos http://sintomascausasdepressao.com

Filipe Neves disse...

Estou em estado de esgotamento , tou farto desta depressão..sinto coisas estranhas no corpo ,cabeça frequentes, , tenho ataques de ansiedade fortes...penso sempre que estou a ter avc ..